De Roger Moreira a Yuval Harari, os inúteis – O Nacional

Quase quatro décadas depois de Roger Moreira e a banda de rock Ultraje a Rigor, com a música “Inútil”, terem popularizado o refrão “inútil/ a gente somos inútil”, foi a vez de o historiado israelense Yuval Harari vaticinar o surgimento de uma nova classe de seres humanos, “os inúteis”.A música “Inútil”, originalmente gravada em 1983, tornou-se conhecida em 1985, quando saiu o primeiro álbum do grupo Ultraje a Rigor, “Nós Vamos Invadir Sua Praia”. E ainda que a letra tenha virado um hino dos jovens que, na época, abraçaram a campanha das “Diretas Já”, pela frase “a gente não sabemos escolher presidente”, o próprio Roger, tempos depois, se encarregaria, por meio de atitudes e manifestações públicas, de esclarecer que a intenção nunca foi de reinvindicação política, mas, apenas, retratar o brasileiro como visto pelos estrangeiros, pois, afinal, se “A gente não sabemos escolher presidente/ A gente não sabemos tomar conta da gente/ A gente não sabemos nem escovar os dente/ Tem gringo pensando que nóis é indigente”. Logo: “Inútil/ A gente somos inútil”.

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Paulo Ricardo relembra sucessos dos anos 1980 no Arraiá do Buritis

Houve algo de especial em 1985 que transformou o cenário musical brasileiro. Talvez um alinhamento cósmico, ou ventos criativos que espalharam a fagulha efervescente do chamado BRock. Foi o ano em que Legião Urbana estreou com o disco homônimo, trazendo hinos como “Será” e “Ainda é cedo”. O Ultraje a Rigor lançou o irônico e mordaz “Nós vamos invadir sua praia”. Os Titãs apresentaram “Televisão”. “O passo do Lui”, álbum que os Paralamas do Sucesso lançaram no fim de 1984, estourou de vez em 1985. E o RPM surgiu com a sonoridade inédita de “Revoluções por minuto”, misturando rock, synthpop e new wave.

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Herbert Vianna lidera banda em show especial; veja roqueiros brasileiros que seguem na ativa

Roger Moreira – Cantor, guitarrista, compositor e fundador da banda Ultraje a Rigor, nasceu em 12/09/1956. Além de seguir com a banda, participa do programa “The Noite”, com Danilo Gentili, no SBT. Crédito: Reprodução de Vídeo
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Apesar de você

A música também só começou a falar diretamente ao povo, contra a repressão, com a explosão do rock brasileiro, em músicas como “Proteção”, da Plebe Rude e, principalmente, “Inútil”, do Ultraje a Rigor. A música, junto com Sócrates, Casagrande, Wladimir, representantes da Democracia Corintiana, foi cantada por milhares na Praça da Sé, na maior convenção a favor das eleições diretas para presidente do País. Resumindo: a contestação saiu da união do futebol com o rock, coisas que todo mundo captava. Transgressão, mesmo que em tempos mais leves.

Juntou sua banda, chamou os conhecidos, os mais chegados e gravou o disco que faltava para aquela multidão que pedia voto, liberdade e a Copa do Mundo, cantar em uníssono, lá na Praça da Sé. “Inútil, a gente somos inútil”.

Em 13 de janeiro de 1984, o principal nome das campanhas da Diretas, conhecido como Sr. Diretas em pessoa, deputado federal Ulysses Guimarães, declarou que ia mandar o compacto de “Inútil” para o presidente João Figueiredo. A letra dizia, entre outras coisas, que “a gente não sabemos escolher presidente/ a gente não sabemos tomar conta da gente”. A citação ratificava o jovem rock nacional como trilha sonora da década. Enquanto que, no exílio, os representantes da MPB escreviam canções e faziam filmes que, nem sempre, os mesmos compreendiam.

chacais sempre espreitam: LICENÇA POÉTICA PARA MATAR CANÇÕES ?

INÚTIL – ULTRAJE A RIGOR

Essa é uma música que faz uso perfeito da licença poética com metalinguagem no verso do refrão (A gente somos inútil) que segue a lógica interna de (A gente não sabemos escolher presidente/A gente não sabemos tomar conta da gente/A gente não sabemos nem escovar os dente/ Tem gringo pensando que nóis é indigente).Faz total sentido os erros gramaticais, pois eles estão em função do discurso que o autor pretende fazer em defesa de uma ideia. Não teria nenhum cabimento o uso da gramática normativa nesse caso, assim como nos casos abaixo.

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▷ O Maio Musical 2025: Onde Rock, Cultura E Comunidade Se Encontram Em Indaiatuba

1. Ultraje a Rigor: A Banda que Nunca Sai de Moda

Como uma banda dos anos 80 continua relevante em 2025? Desde sua formação no início dos anos 80, o Ultraje a Rigor conquistou seu lugar como um dos pilares do rock nacional. Suas letras ácidas e refrões cativantes continuam ecoando em estádios, festivais e corações. No dia 17 de maio, a banda sobe ao palco principal em Indaiatuba, trazendo consigo toda a energia que marcou gerações. Mas por que essa banda ainda ressoa tanto? Talvez seja porque suas músicas toquem em temas universais: amor, frustração, crítica social. Ou talvez seja simplesmente porque, como dizem os fãs, “rock bom é rock eterno”.

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GOVERNOS VAGA-LUMES X GOVERNOS MOSCAS – Jornal Semanário

Contudo, embora não estejam catalogados em uma única enciclopédia dos crimes contra a administração pública, nossa geração – acima de 50 anos – ao ouvir hoje muitas das canções que embalavam o sábado à noite, poderão voltar ao passado ao som das letras politizadas que denunciavam escândalos e a situação “moral” caótica do país naqueles tempos.Uma das que mais impressiona é da autoria do grupo musical ULTRAJE A RIGOR, cuja primeira estrofe da música INÚTIL (1985) reverbera até hoje e nos lembra de que nada é por acaso:A GENTE NÃO SABEMOS ESCOLHER PRESIDENTE – isso vem de longe – / A gente não sabemos tomar conta da gente / A gente não sabemos nem escovar os dente / Tem gringo pensando que nóis é indigente / Inútil, a gente somos inútil…

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