De Letra & Caneta: O dia de hoje na história do Rock

1985 – A banda Ultraje à Rigor lançava seu primeiro, e mais bem-sucedido, álbum Nós Vamos Invadir Sua Praia. O disco chegou precedido dos sucessos radiofônicos “Mim Quer Tocar”, “Eu Me Amo”, “Rebelde Sem Causa” e, especialmente, “Inútil”, hino da campanha Diretas Já, que pleiteava o fim definitivo da Ditadura Militar.Caracterizado pelo bom humor a faixa-título também funcionava como uma clara provocação ao chamado Rock de Bermuda, oriundo do Rio de Janeiro e dominante no cenário nacional. Por exemplo, todos os artistas do rock que estiveram no primeiro Rock in Rio eram cariocas. O trabalho foi extremamente bem recebido por público e crítica e, naquele momento, o Ultraje se colocou com uma das grandes bandas do chamado BROCK, denominação do jornalista Arthur Dapieve.

Source: De Letra & Caneta: O dia de hoje na história do Rock

A música como revolução | Acervo Musical | TV Brasil | Cultura

Aliás, quem nasceu primeiro, o Rock ou a rebeldia? Com ou sem motivos para serem rebeldes, os artistas selecionados desafiaram regras. Na lista, Cazuza, Belchior, Renato Russo… No eixo Rio-São Paulo, a banda Ultraje a rigor marca presença no Acervo Musical com a apresentação de “Nós vamos invadir sua praia”, exibida pela TVE em 1999, enquanto o Barão Vermelho entra em cena em 1988 com Frejat cantando “Contravenção”, que fala exatamente sobre o clima de rebeldia da juventude nesta época.

Source: A música como revolução | Acervo Musical | TV Brasil | Cultura

Apesar de vocês
Alexandre Petillo 

A música também só começou a falar diretamente ao povo, contra a repressão, com a explosão do rock brasileiro, em músicas como “Proteção”, da Plebe Rude e, principalmente, “Inútil”, do Ultraje a Rigor. A música, junto com Sócrates, Casagrande, Wladimir, representantes da Democracia Corintiana, foi cantada por milhares na Praça da Sé, na maior convenção a favor das eleições diretas para presidente do País. Resumindo: a contestação saiu da união do futebol com o rock, coisas que todo mundo captava. Transgressão, mesmo que em tempos mais leves.

Juntou sua banda, chamou os conhecidos, os mais chegados e gravou o disco que faltava para aquela multidão que pedia voto, liberdade e a Copa do Mundo, cantar em uníssono, lá na Praça da Sé. “Inútil, a gente somos inútil”.

Em 13 de janeiro de 1984, o principal nome das campanhas da Diretas, conhecido como Sr. Diretas em pessoa, deputado federal Ulysses Guimarães, declarou que ia mandar o compacto de “Inútil” para o presidente João Figueiredo. A letra dizia, entre outras coisas, que “a gente não sabemos escolher presidente/ a gente não sabemos tomar conta da gente”. A citação ratificava o jovem rock nacional como trilha sonora da década. Enquanto que, no exílio, os representantes da MPB escreviam canções e faziam filmes que, nem sempre, os mesmos compreendiam.

Naquela época, entre 1983 e 85, era preciso ter cultura para mijar na escultura. Ou seja, dava para meter a boca, desde que fizesse isso com inteligência, refinamento, sagacidade, coisas que os censores não entendiam. Mas, ainda assim, corriam o risco de ver seus LPs riscados, manualmente, como aconteceu com a Blitz.

https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1341&titulo=Apesar_de_voces

Este artigo é inútil – ET – Estratégias que Transformam

Alguns alertas de pessoas são ignorados, se os atos públicos de figuras colossais e históricas foram inúteis, well, ser inútil não desmerece ninguém.

Vou entregar a idade aqui: toda vez que ouço a palavra “inútil” eu me lembro imediatamente do Roger cantando aos brados aquele clássico do Ultraje a Rigor. Inútil, porém, nem sempre é uma palavra pejorativa: quando Bill Gates fez uma palestra maravilhosa no TED, em 2015,  alertando para o risco gritante de uma pandemia de coronavírus seu esforço foi… inútil.

Source: Este artigo é inútil – ET – Estratégias que Transformam